Completos
Mais vale ser completo do que ser perfeito, dizia alguém!
Ser completo é ser capaz de se lançar na vida, com tudo aquilo que se é. Ser completo é ser capaz de viver cada um dos dias que nos passam pelas mãos, com a capacidade de saborear tudo aquilo que nos é dado.
Não somos perfeitos. Frequentemente temos de encarar os nossos limites e tomamos consciência das nossas fraquezas. Nem sempre somos tão bons quanto pensamos: também ferimos, também magoamos, também desesperamos. Também temos feridas, marcas de um passado, medos de um futuro incerto.
Mas sermos completos é sermos capazes de viver com tudo isto. É sermos capazes de encontrar sempre esperança no desespero, confiança apesar da fragilidade, amor apesar das mágoas. Viver completo é entregar todo o coração, tal como ele é, tal como nós somos, a uma vida que passa diante de nós. Importa é sermos capazes de viver, em tudo, apesar de tudo e com tudo.
Importa aceitar as feridas e faze-las descer ao coração em vez de apenas as fazer subir á cabeça. Na cabeça dificilmente encontraremos uma explicação satisfatória para o que nos magoa, no coração podemos encontrar no sofrimento uma força, capaz de nos lançar novamente além, ao lugar onde os sonhos se perderam e onde o dia se apagou.
Ressurgir sempre das tempestades que nos apagam a alma é a missão dos que se sabem feitos de barro, simples e fracos, mas que têm consciência que são também tesouros: preciosos demais para uma vida que precisa dos gestos, dos olhares, da música e do canto do seu coração. Porque cada um que vive, não é mais um apenas na multidão; cada um que vive é um único e irrepetível, com uma história sua, feita de silêncios e gritos, de dias e de noites, numa vida que se quer original, ao seu jeito.
Viver implica criar marcas nos corações dos que cruzam os nossos caminhos, lançar pontes rumo aos braços e abraços dos que nos amam… É acreditar sempre que ser completo é jogar tudo o que se é e tudo o que se tem, é o risco de viver a vida, o sonho e a liberdade, amando e sofrendo, querendo e perdendo.
Quem espera ser perfeito para viver, para amar, para crescer nunca começa sequer. Acha-se demasiado correcto para ser repreensível, para ter de mudar ou de progredir.
Quem procura ser completo sabe que já começou a viver; já amou e já sofreu, já acertou e já errou, já cresceu e já regrediu e sabe que o amor e o erro fazem parte da vida. Mas sabe também que é o modo como olhamos tudo o que nos acontece que determina tudo o que somos.
Podemos olhar-nos de muitos modos… Podemos ter muitas ideias sobre nós… Podemos ter muitas máscaras… Mas só quando aceitarmos o desafio de viver transparentemente, quando aceitarmos que estamos em construção, poderemos começar a perceber o real valor de toda a vida.
Joana Teixeira, 10ºB
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